domingo, 1 de junho de 2008

SEJAS BEM-VINDO (qdo. quiseres vir...)

Somos criaturas que buscam sentido, que têm que lidar com o inconveniente de serem lançadas num universo que, intrinsecamente, não tem sentido algum... Daí a arte de Nietzsche, para que a verdade não nos destrua... Daí a criatividade, a inteligência e a sensibilidade como elementos caros àqueles que buscam a autotranscendência neste projeto. Eis que nos últimos nove meses, (em que ganhavas vulto no escurinho “do antes”) tive que calcar minha resiliência nas entrelinhas do que não havia sido dito, num cenário álgico de perdas e danos até então ignotos. Pois bem, vivenciei as nomináveis ou não fases e ups e dows do luto, desde que teu pai nos deixou (lembro daquela cena do Closer, em que Alice frisa o exato momento em que fazemos uma dada escolha, pois é também nele que renunciamos a todas as outras). Ele esteve distante mesmo quando ainda perambulava nauseabundo pela casa... Quando se foi, eu fui ao fundo do poço, mas destaco três viagens aqui apontadas: Buenos Aires, na máxima: “Não se esqueça, quando não houver mais nada... ainda haverá o tango...” e ainda todas as outras coisas portenhas pelas quais me apaixonei, ainda que ruminando uma autocomiseração inédita... Fortaleza bela e suas falésias multicoloridas, numa fase de olhares vivazes e de Esperança... A terceira, te digo, foi sem sair do lugar, geograficamente falando. Tornei-me senhora das minhas horas, quase uma fortaleza de humor perene, uma leoa em relação a ti e aos teus irmãos, sem que isto comprometesse o meu upgrade. Nunca mais tive dor de cabeça. Não chorei quase. Minha (nossa) casa virou um santuário de intenções, minha cama um templo. Nunca fui tão enraizadamente feliz e tão boa companhia para mim mesma. Nunca estive rodeada de tantos amigos (antigos e novos), nem de homens-fãs (que, hilariamente, confirmaram a cisma do fascínio pelos espécimes em estado interessante...) Nunca li tanto. Nem vi tantos filmes. Nunca fui tão generosa (“o que leva da vida é a vida que se leva...”) Nunca brilhei tanto profissionalmente. Então, fechei com o Louis Malle...”Entregar-se ao amor dá alguma idéia do incognoscível”...e eu e tu fomos parceiros impecáveis nesta jornada à Bonnie e Clide, um dia vais entender tudo direitinho...Agora, estás prestes a clarear teus horizontes, pelo que te espero com os braços e a alma abertos, com todo o amor que houver nesta vida...Bj
Tua Mãe

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